
No próximo domingo (11), vários personagens de um antigo conflito entre famílias, que deixou aproximadamente 100 mortos no Sertão do São Francisco, darão um importante passo para selar em definitivo a paz na região.
As famílias, Araquan, Benvindo, Russo, Cláudio e Nogueira, pivôs dessa tragédia, irão se reunir na Fazenda Canto (Serrota), em Belém do São francisco, às 15h, para celebrar os 10 anos do acordo que pôs um fim nas brigas entre os grupos.
A missa será celebrada pelo Bispo Dom Adriano, juntamente com Padre Félix e Padre Roberto – este, na época, foi um dos grandes pacificadores dos conflitos. Estarão presentes também políticos e vários segmentos da sociedade local.
Rogério Araquan, um dos principais envolvidos no conflito, concedeu uma entrevista à TV Matutos, de Belém, reproduzida pelo Blog:
TV Matutos – Rogério, como os conflitos começaram?
Rogério Araquan – Tudo começou entre as famílias Nogueira e Benvindo, em Belém do São Francisco. Logo em seguida os Russos e os Cláudios entraram em conflito em Cabrobó. Durante os conflitos, que duraram 16 anos, aproximadamente 100 pessoas morreram. Mas, felizmente, a trégua existe a 10 anos devido a um acordo que fizemos entre as famílias na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
TV Matutos – Rogério, qual a importância desta missa, não só para você, mas, para todas as famílias envolvidas no caso?
Rogério Araquan – Essa missa é um sinal de que o acordo existiu. A celebração será na terra dos Araquans, onde aconteceram vários conflitos, e queremos mostrar para o Brasil inteiro que essa trégua deu certo.
TV Matutos – Sabemos que, até hoje, várias pessoas que participaram daquele conflito ainda aguardam o julgamento em liberdade. Você acredita que essas pessoas serão julgadas?
Rogério Araquan – Os foragidos querem sua liberdade para poder criar seus filhos. O réu tem direito a ser julgado. Para eles (foragidos) não importa o resultado do julgamento, eles só querem saber o resultado. Temos processo com mais de 10 anos e que até hoje não foi concluído pelo juiz. Na época do acordo, havia uma promessa dos Deputados Estaduais, que faziam parte da CPI do Narcotráfico e da Pistolagem, de visitar a região, para que fossem agilizados os processos, mas, infelizmente isso não aconteceu.
TV Matutos – Rogério, você falava que, caso houvesse julgamento, seja de qualquer família envolvida no caso, que ele ocorresse em Belém do São Francisco ou em Cabrobó. Porque você prefere essas duas cidades?
Rogério Araquan – Não é justo que o juiz queira desaforar os processos para Recife, pois lá ninguém tem conhecimento do assunto. Temos o caso de Vanda que foi condenado a 55 anos. O corpo de jurados não tem conhecimento dessa confusão. Nós estamos dispostos a recorrer ao Tribunal de Justiça e se for o caso, realizar um protesto pacífico convocando a imprensa para mostrar que os processos permanecem sem conclusão.
TV Matutos – Por fim, gostaríamos de saber como é, hoje, a vida de Vavá Araquan, uma das pessoas mais marcantes na história dos conflitos entre as famílias?
Rogério Araquan – Vavá, apesar de ser foragido da justiça, é agricultor e recebeu, por dois anos consecutivos, o título de melhor ceboleiro da região. Ele é uma pessoa que gera emprego e renda para o município. Como eu havia falado antes, quem está foragido quer ser julgado, não importa o resultado. E ele (Vavá) irá aceitar qualquer resultado, seja favorável ou não.
FONTE: TV Matutos
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