terça-feira, setembro 04, 2012

Promiscuidade eleitoral em Chorrochó

O Ministério Público Eleitoral da 158ª Zona Eleitoral da Bahia distribuiu nota no penúltimo dia de agosto orientando “a todos os interessados ou quem dela tiver conhecimento” sobre pontos que entende importantes nesta campanha eleitoral de 2012.
A 158ª Zona Eleitoral abrange os municípios de Chorrochó, Abaré, Macururé e Rodelas, todos no semi-árido nordestino, coincidentemente uma nesga territorial da Bahia onde ainda impera um considerável atraso em educação política.

Explico: nos dias de hoje nenhum cidadão ou candidato pode alegar desconhecimento do que venha a ser prática política condenável, tendo em vista o nível de esclarecimento a que chegamos sob o ponto de vista democrático. Todavia, exemplificativamente, Chorrochó desconhece. E desconhece tristemente. Desgraçadamente.

Chorrochó não pode e não deve chegar a este estágio de promiscuidade eleitoral, a ponto de agir, ou pretender agir, na contramão da legalidade, desavergonhada e injustificadamente.

Sempre condenei erros políticos propositais. Em 16.04.2012, quando não se falava em campanha eleitoral oficial, escrevi neste mesmo blog, um artigo com o título Chorrochó precisa mudar sobre o equívoco que Chorrochó vinha cometendo. Ei-lo: “Mas o que se vê em Chorrochó, sem dúvida, é uma demência política. A administração, valendo-se de um marketing arrevesado, usa obras e feitos federais para pavimentar o seu caminho eleitoral e a oposição, atônita, desempenha mero papel de espectadora, porque lhe faltam meios e estrutura para investigar, fiscalizar e construir estratégias de luta política. Assim ninguém chega a lugar nenhum. O Poder Executivo não se engrandece, porque não realiza o bem comum a contento e a oposição não constrói seu próprio caminho institucional, enquanto meio de defesa da sociedade. Ambas não podem se apequenar diante da realidade, tampouco ajoelhar-se perante pretensões mesquinhas de pessoas descompromissadas com o interesse público. Chorrochó precisa sair desse marasmo político. Urge que a oposição encontre meios sadios de convivência responsável com os contrários, até para ser vigilante quanto a eventuais conchavos espúrios entre pessoas e grupos neste ano eleitoral”.

Agora, o Ministério Público Eleitoral, sempre vigilante no cumprimento de seu dever institucional, emite uma nota orientando os candidatos e, mais do que isto, fazendo valer o império da lei. Parece razoável afirmar o seguinte: o que consta na nota é elementar, tanto os candidatos quanto seus cabos eleitorais têm a obrigação de conhecer os mínimos limites a que devem chegar, até porque, todos sabem, o mesmo Ministério Público Eleitoral e a Justiça Eleitoral da 158ª Zona fizeram reunião em 19.07.2012, destinada e aberta a todos os candidatos e representantes das coligações, para dar-lhes esclarecimentos, inclusive com Termo de Ajuste de Conduta (TAC) visando à campanha eleitoral. Ficou sobejamente clara naquela reunião a postura que cada candidato deve adotar em sua propaganda eleitoral.

Entendo vergonhoso e reprovável o fato de candidatos de quaisquer partidos ou coligações orientarem seus assessores ou cabos eleitorais a usarem referências aos benefícios sociais, tais como bolsa família, casas populares e cestas básicas concedidas aos atingidos pela seca, como meios de angariar votos. Estribar-se na miséria alheia para se agigantar perante os humildes é detestável. Mais: é repugnante. É um acinte. É o enlamear da ação política. Ademais, é conhecido, aliás, conhecidíssimo, que esses benefícios provêm de outras esferas governamentais, Estado e Governo Federal e não são concedidos pelas prefeituras. Dizer o contrário é aproximar-se do estelionato eleitoral. Nada acrescenta aos candidatos, senão eventuais transtornos judiciais. Não é aconselhável esse caminho. O homem público não deve se apequenar a tal ponto de desviar-se da decência e da verdade. Política é a arte de bem administrar os povos e não uma forma de engodo ou mentira em proveito de pessoas ou grupos seja nos municípios baianos de Chorrochó, Macururé, Abaré e Rodelas ou em qualquer parte do mundo.

fonte: blog de walter araujo

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