Em 16.08.2011 escrevi neste mesmo
espaço uma crônica sobre Laudimiro Batista Veras.
Ei-la:
Era começo de 1971.
Passei a conviver, diariamente, com Laudimiro Batista Veras. Éramos estudantes
do curso ginasial do então Colégio Normal São José, de Chorrochó. Eu, um
tabaréu saído da roça, acostumado a viver entre pedras e cactos, cheio de
sonhos e com perspectivas de ir muito longe em direção a novos horizontes. Ele,
mais experiente, nascido na primavera de 1929, mesclando as profissões de
dentista e fazendeiro, ou simplesmente, criador de algumas cabeças de
gado.
A amizade nasceu e cresceu ali, em meio às carteiras do Colégio São José.
Carteira era o sinônimo que se usava, comumente, para designar as escrivaninhas
do Colégio.
Laudimiro, exímio orador, deu-me as primeiras dicas de como falar em público.
Esqueci umas, guardei outras e algumas me servem até hoje. É impossível
pronunciar certas palavras, em público, sem que me venham fortes lembranças
dele.
Hoje estive relendo um livro de autoria do médico urologista Dr. Washington
José Veras Pacheco de Menezes, filho de Laudimiro. Ví, incontáveis vezes, esse
menino Washington, hoje doutor e profissional respeitado, acompanhando o pai
pelas ruas de Chorrochó. Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, com
passagem honrosa pela cátedra da Universidade Federal de Sergipe, o Dr.
Washington certamente herdou do pai, sua maior qualidade: a humildade.
Laudimiro era humilde, companheiro, prestativo e, sobretudo, amigo. Deus o
levou em junho de 2002, antes de completar 73 anos. Jovem ainda, porque era um
idealista incorrigível e idealista nunca fica velho. Ainda guardo muitas de
suas magistrais lições e lembro muitos os seus sonhos. E a amizade
construída sobre o pedestal da honradez e
sinceridade.
Hoje faço um adendo àquela crônica de 2011 com outra lembrança também
inolvidável.
No último mês de julho deste ano de 2013, Chorrochó perdeu uma ilustre
filha: Maria Nicanor de Menezes Veras, viúva de Laudimiro, com quem teve os
filhos Washington José Veras Pacheco de Menezes, Lincoln Marcelo Pacheco de
Menezes Veras e Lídia Cristina de Menezes Veras. Era uma espécie de professora
emérita do município. Emérita, porque diuturnamente respeitada, emérita porque
impoluta, emérita porquanto essencialmente mestra. Pioneira no ensino ginasial
e colegial, D. Nicanor foi professora no Ginásio Oliveira Brito, mais tarde
cenecista Colégio Normal São José. Também advogada, participou da vida de
Chorrochó em toda sua plenitude. Exemplo histórico: estava com o governador
Luís Régis Pacheco Pereira na solenidade que formalizou a emancipação do município.
Guardo a honra de ter sido seu aluno no então Colégio Normal São José.
Ela educou gerações, semeou bondade e lucidez e, sobretudo, firmou-se
como exemplo de vida e humildade.
Walter Araujo.
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