O
empresário Carlos Alberto da Silva Campos, mais conhecido como Chicletão,
nasceu em Abaré-BA, mas mora em Juazeiro desde os seus sete anos. Com 47 anos,
formado em Administração de Empresas pela Faculdade de Ciências Aplicadas e
Sociais de Petrolina (Facape), pai de seis filhos, ex-vereador e ex-presidente
da Câmara de Vereadores da sua cidade natal quando tinha apenas 20 anos,
Chicletão é reconhecido pelo seu trabalho de destaque na construção civil,
porém sua biografia tem um capítulo triste.
Ele foi acusado de integrar a Máfia do Açúcar
e, em maio deste ano, foi julgado e inocentado do assassinato do auditor fiscal
José Roberto Aras. O auditor, que foi atingido por seis tiros na porta de sua
casa, em outubro de 1996, teria sido morto por combater a Máfia que atuava no
trecho Juazeiro-Petrolina, através de sonegação do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS).
Sobre essa e outras histórias, Chicletão falou
com exclusividade ao Blog Vinicius da Santana na entrevista de sábado. Confira!
16 anos acusado de um crime que não
cometeu…
“Eu esperei que a justiça caminhasse, nunca
impedi que as coisas acontecessem e quando chegou a hora certa, eu provei a
minha inocência. Tenho minha consciência tranquila, apesar de ter sido
criticado por muitas pessoas que não conheciam o processo, porque é muito fácil
você jogar pedras.”
No banco dos réus
“Eu
pensava sempre que quando eu fosse a julgamento, pela minha índole, pelo meu
comportamento, pelas coisas que eu tenho feito durante a minha vida, eu achava
muito difícil, dentro dessas duas cidades Juazeiro e Petrolina, que fosse formado
um corpo de jurados que não me conhecesse. Eu acreditei muito na pessoa que eu
sou. Primeiro, as pessoas que chegaram lá [no julgamento] pra me acusar falaram
tantas mentiras e tantas inverdades. Falam em Máfia do Açúcar por sonegação
fiscal. Mas todas as multas, todos os processos, a Secretaria da Fazenda
encaminhou para o Ministério Público. E eu nunca levei uma multa de um saco se
quer de açúcar, porque eu nunca soneguei. Eu chegava na usina mandacaru,
comprava determinada quantidade de açúcar e só vendia a atacado, com caminhão
fechado. O comprador me dava a placa do carro, o nome da empresa e eu
encaminhava um fax para a usina, ou seja, nem passava pela minha empresa. Eu
passei 16 anos carregando ‘uma cruz’ sem dever. É muito fácil você dizer que
fulano fez isso, agora é muito difícil você provar. E eu fiquei na incumbência
de provar a minha inocência. Então, eu consegui provar que eu nunca fui
multado, estive com essa pessoa [vítima] duas vezes na minha vida, pouco
conhecia, nunca tive motivo para fazer isso [matar]. Porque para você fazer
qualquer coisa com alguém, você tem que ter um motivo. Eu nunca tive um motivo
e foi isso que eu provei.”
Quem vai reparar o mal feito?
“Eu entrego a Deus. O que eu passei, eu acho
que Deus sabe o que faz. Aquelas pessoas que fizeram isso comigo, eu não
consigo desejar mal. Deus que as julgue.”
Apoios
“Eu
recebi força da minha família, de meus amigos. Graças a Deus, nessa caminhada
eu tenho feito muitos amigos. Eu sou uma pessoa que nunca teve problema com
ninguém. Nunca dei um cheque sem fundo na minha vida, nunca coloquei meu nome
no Serasa, nunca tive nenhuma pequena discussão.”
Pensou
em deixar a cidade?
“Nunca
me passou pela cabeça ir embora de Juazeiro. Eu poderia ir embora se, por
ventura, eu fosse condenado por uma coisa que eu não fiz.”
Lição de vida
“Eu
agradeço muito a Deus, agradeço à população dessas duas cidades que me apoiaram
a vida toda, me apoiaram durante esses 16 anos. Eu nunca tive rejeição por
causa disso, pelo contrário, eu encontrei muito apoio das pessoas, dos meus
amigos, de pessoas que pouco me conheciam. Eu fui manchado, até pela própria
imprensa, que muitas vezes leva a notícia sem ter conhecimento dos fatos. Eu
tenho certeza que se a imprensa pegasse os autos do processo o pré-julgamento
teria sido diferente. Já que nenhuma testemunha me acusava, nem mesmo a viúva.”
Crescimento x Inveja
“Quando as pessoas crescem, nós temos um
percentual de pessoas que se sente incomodadas e eu as chamo até de pessoas sem
visão. Eu trabalho na construção civil e torço pelo crescimento de todas as
pessoas. Porque quando essa pessoa cresce, o que pode acontecer do crescimento
dela é eu ter um ali um apartamento, um terreno e participar desse crescimento,
ou seja, ganhar alguma coisa. Então, se nós não torcemos pelo crescimento das
pessoas, nós estamos torcendo contra nós mesmos. Então, infelizmente as pessoas
às vezes não conseguem enxergar isso.”
Contribuindo para o desenvolvimento
de Petrolina e Juazeiro
“Eu
gosto muito dessas duas cidades [Juazeiro e Petrolina]. E eu gostaria que as
pessoas de Juazeiro fossem a Petrolina por opção e não por falta de opção. Por
isso eu tenho feito muita coisa por Juazeiro. Eu tenho lutado para trazer esses
grandes empreendimentos. Estou fazendo as duas torres que ficam próximas da
Universidade Federal [Univasf], e quando eu iniciei as pessoas diziam que eu
era doido em fazer uma obra daquelas em Juazeiro. E eu tinha certeza que
Juazeiro é uma cidade tão forte como Petrolina e a prova é tanta que a primeira
torre foi vendida 100% e a segunda torre já está 40% vendida.
O Sonho
do shopping de Juazeiro
“Eu trouxe um grupo muito bom, a maioria de
empresário de Recife. Compramos o terreno, que na época, há três anos, com 65
mil metro de área, que custou R$ 6,5 milhões. E aí nós fizemos o lançamento, o
projeto arquitetônico, uma pesquisa de mercado, ou seja, tudo que precisa para
que se inicie a obra de um shopping. E iniciamos a terraplanagem já com o
projeto pronto. Mas, no decorrer deste tempo, apareceu uma empresa muito grande
chamado Tenco, um grupo mineiro que se interessou por esse empreendimento e as
pessoas que estavam aqui vieram com objetivo de ganhar dinheiro. Eu também
quero aproveitar as oportunidades, mas eu tenho esse shopping como questão de
honra, como uma contribuição para a cidade. E esse grupo resolveu comprar esse
empreendimento. Esse Grupo [Tenco] tem 19 shoppings no país e todos os
empreendimentos que eles têm fora [de Minas Gerais] eles têm um sócio local.
Eles compraram a cota dos seis [ex-sócios] e me deixaram à vontade. Eles
queriam que eu ficasse de corpo e alma e eu fiquei.”
Apoio
da Prefeitura de Juazeiro para a obra
“Nós
temos recebidos um grande apoio do prefeito Isaac [Carvalho]. Às vezes as
pessoas se perguntam por que a prefeitura se envolve numa obra que é privada.
Mas, você não consegue fazer um empreendimento deste, de uma envergadura desta,
sem a ajuda do município. O prefeito tem compromisso com a gente. O prefeito
tem compromisso de resolver o problema de um canal que tem lá, de estruturar as
avenidas que levam ao shopping, no terminal de ônibus para que a população
tenha acesso ao shopping.”
Prazo para o novo Shopping
“O cronograma da Tenco, que já é uma empresa
que tem expertise do negócio, quando iniciar as obras, o cronograma é de 18
meses. Mas, em obras, talvez uns 24 meses, nós estejamos com o Shopping. Eu
estou torcendo, mais do que muito juazeirense, que essa obra inicie o mais
rápido possível. Eu acredito que até agosto nós devemos estar iniciando essa
obra.”
Perspectiva Futuro
“Para
o crescimento das duas cidades é preciso que elas cresçam juntas. É muito
importante que as pessoas enxerguem isso. Por que muitas vezes você ver uma
ligeira rivalidade entre juazeirense e petrolinense. Mas eu queria que as
pessoas entendessem que as duas cidades precisam crescer juntas pelo sucesso
das duas.”
Fonte:
Vinicius de Santana, com informações do chorrochoonline,Radio Web Juazeiro










