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sexta-feira, abril 28, 2017

CHORROCHÓ, O FIM DE SUA HISTORIA E DESVALORIZAÇÃO DOS ANFITRIÕES



Chorrochó foi – e é – muito rico em questões culturais.

Ocorre que, sob o ponto de vista institucional, o município nunca se preocupou em sedimentar seus valores culturais, até mesmo em razão de ausência de estrutura, seja por falta de recursos ou mesmo por inanição de vontade política.

Tenho mania de dar pitaco em assuntos de minha região, o que me tem resultado em algumas críticas.

Em Chorrochó, por exemplo, sugeri que o nome da Rua Coronel João Sá, na sede, fosse mudado para Rua Dorotheu Pacheco de Menezes. Passei um vexame danado, porque ninguém do município apoiou minha ideia, nem mesmo os integrantes da família Menezes. Acho que consideraram a ideia estapafúrdia, idiota, imbecilizada. Todavia, é assim mesmo, de quando em vez a gente pisa na bola.

Diante disto, fui cantar em outro terreiro e me recolhi à minha insignificância, mas ainda consegui uma lambuja, com o apoio do então e prestativo vereador Ciel Jericó: que a Câmara Municipal votasse um projeto denominando que a praça nas imediações da igreja matriz de Chorrochó recebesse o nome de Praça Prefeito Dorotheu Pacheco de Menezes.

Tive notícia que a Câmara aprovou, mas a prefeita Rita Campos, que estava no trono à época, recusou-se a sancionar o projeto, engavetou-o e sabe-se lá o que fez dele.

O que me surpreendeu não foi o engavetamento do projeto, o que se afigura ato normal na administração pública, mas a conduta da prefeita, incompatível com sua formação e ofício de educadora.

Geralmente educadores se preocupam com questões culturais, mas, neste caso, o assunto certamente contrariava os interesses políticos da prefeita e de seus diligentes assessores integrantes de seu grupo político.

Ainda com referência ao pretendido nome da rua, explico minha ideia, que muitos acharam insensata: o coronel João Sá era descendente de família de Água Branca, estado de Alagoas. Foi chefe político, deputado estadual e latifundiário na região de Jeremoabo. Lá foi prefeito. Era dono de tudo, até dos votos.

Minha monumental ignorância não consegue enxergar os feitos que ele desempenhou em benefício de Chorrochó, que merecesse ser nome da principal rua da sede.

Não estou atribuindo nenhum demérito ao coronel João Sá, mas isto não me retira o direito de questionar o que lhe habilitou para ser nome do principal logradouro de Chorrochó. Só isto.

Dorotheu Pacheco de Menezes, ao contrário, era filho do lugar, lutou pelo município, inclusive cavou a emancipação político-adminstrativa, foi vereador, prefeito e líder durante décadas. Então, inocentemente, achei que o meu pleito era justíssimo. Enganei-me redondamente.

Contudo, quero sugerir desta vez que as autoridades de Chorrochó, inclusive os membros da Câmara Municipal, lembrem-se da existência da professora Marieta Argentina de Menezes, que está aí por volta de um centenário de vida e contribuiu, inegavelmente, para a cultura de Chorrochó.

A professora Marieta Argentina de Menezes é um nome ideal para ser atribuído a uma biblioteca pública, arquivo público ou qualquer outra instituição que venha a ser criada e ligada à cultura chorrochoense. Falo do futuro, evidentemente.

A história de Chorrochó registra que em 03.12.1939 a professora Marieta Argentina de Menezes se formou pela Escola Normal Nossa Senhora Auxiliadora, de Petrolina, um tradicional estabelecimento de ensino daquela cidade pernambucana.

Quando Chorrochó ainda engatinhava em busca de seu próprio destino, a professora Marieta desempenhava, com altivez, o glorioso ofício de ensinar. Ensinou respeito, ensinou dignidade, ensinou o caminho para que seguidas gerações vislumbrassem os horizontes que sonhavam.

Pode ser pieguice minha, mas tenho dificuldade de entender porque pessoas que construíram a história de Chorrochó sempre foram deixadas à margem das preocupações das instituições municipais que se dizem empenhadas em cuidar da cultura do lugar.

Parece até que Chorrochó não tem educação, não tem cultura e, pior, não tem pessoas voltadas para a sedimentação de sua história.

Desejo à professora Marieta o prosseguimento firme de seu caminho. E ao município de Chorrochó que comece a ter mais atenção no que tange à valorização de sua história.


Blog Walter Araujo


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