FESTA DOS VAQUEIROS

FESTA DOS VAQUEIROS
FESTA DOS VAQUEIROS CHORROCHO-BA

segunda-feira, abril 21, 2014

CHORROCHÓ E A FALTA DE OPOSIÇÃO.

 José Juvenal de Araújo, um simpático e espirituoso senhor que foi prefeito de Chorrochó, lá nas bandas do sertão baiano, ainda muito jovem, quando discordava de alguém, saía-se com esta: “você está mais por fora do que bunda de índio”. Geralmente acertava, porque a falta de conhecimento não se sustenta diante da verdade.  
Hoje, não mais jovem e talvez não mais acreditando que bunda de índio continua por fora, José Juvenal apoia, em Chorrochó, um emaranhado político-administrativo, verdadeiro balaio de gatos, que atrai desde acusações de desmandos, até negligência e falta de grandeza política.
Refiro-me ao atual comando do município, que tem à frente a excelentíssima educadora e prefeita Rita de Cássia Campos Souza. Data venia, como dizem os doutos, é uma administração confusa, embaraçada, desordenada, perdida em seus próprios tropeços. Mas, nem tudo está perdido. Há quem fale bem, aponte acertos, negue desvios de rumo.
Raposa política, José Juvenal rendeu-se ao momento exigido pelos últimos conchavos eleitorais e se integrou ao atual grupo político dominante em Chorrochó. Naquela altura da vida, pouco lhe importava se a bunda do índio estava ou não por fora, até porque ele conhecia sobejamente todos do grupo, alguns até já tinham sido seus aliados.
Todavia, o fato é que Chorrochó insiste em manter o vexame de não ter oposição. Aliás, tem um único vereador que se dispõe, por enquanto, a morder os calcanhares do Executivo Municipal, situação um tanto inédita em qualquer município. Trata-se do senhor Luiz Alberto de Menezes, conhecido como “Beto de Arnóbio”, que tem feito o papel de andorinha solitária diante do domínio hegemônico do município. E “uma andorinha só não faz verão” diz o ditado. Mas, pelo menos, pode ser notada.
Ouvi, com atenção e muita cautela, uma entrevista que o vereador “Beto de Arnóbio” concedeu recentemente à Rádio Educadora, do pernambucano município de Belém do São Francisco.
Estarrecedora, enfática, preocupante. Sem dúvida mais preocupante ainda, porque o nobre vereador chorrochoense afirma que nada diz “sem provas”, o que pressupõe admitir, diante do rosário de denúncias sinalizadas, que a situação de Chorrochó é grave. Tão grave que descamba para o ridículo. Basta refletir que algumas pessoas do grupo político, aparentemente coeso, que apoia a prefeita, deixam escapar por aí, que estão descontentes. Ou seja, de coeso o grupo não tem nada, mas se mantém como tal por covardia política, falta de coragem para discordar da situação, talvez em razão de benesses ou mesmo da fragilidade de seu esteio eleitoral.
Fazer oposição, ou mesmo partir para o dissenso, quando tudo conspira de modo diverso, requer firmeza de estrutura pessoal e política e, sobretudo, grandeza de propósitos. Parece faltar isto em Chorrochó.
Chorrochó está exposto às intempéries causadas pela ausência de seriedade no trato com a coisa pública. É difícil a situação. Por exemplo, faltam médicos, ambulâncias e respeito aos doentes, apesar do SAMU e outros penduricalhos mais que existem por lá, por força de convênios com outras esferas de governo.
É por demais ultrapassada, nos dias de hoje, a situação em que um doente tenha que se valer da interferência de um vereador para viabilizar-lhe atendimento médico, porque a Prefeitura não cumpre o seu papel ou cumpre deficientemente. Não foi este, dentre muitos, o apelo de um munícipe da Jatubarana?
Parece que a atual administração de Chorrochó está prestes a perder o bonde da história. Não conseguiu, ainda, colocar o município nos trilhos da seriedade administrativa.
Há, hoje, diversos órgãos fiscalizando e cuidando da transparência do dinheiro público, tanto em Chorrochó quanto nos demais municípios. Ainda assim, o grupo que administra o município não se deu conta de que Chorrochó precisa acordar para vislumbrar novos horizontes para o seu povo.
As urnas podem mudar as pessoas constantemente, mas se estas não mudarem suas estruturas de mentalidades, pouco ou nada terá valido em qualquer sociedade.
Fonte: Blog Walter Araujo, araujo-costa@uol.com.br

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